Por Bob Sharp — , com transcrição e adaptação de Marcos Rozen
A Toyota Previa surgiu no início da década de 1990 como uma resposta ousada à crescente demanda por veículos familiares que unissem a praticidade das minivans à dirigibilidade de um automóvel de passeio. Projetada pelo estúdio Calty Design Research, na Califórnia, a van foi apresentada ao público no Salão de Tóquio de 1989, chegando ao mercado em 1990 com uma proposta visual que remetia a uma nave espacial, distanciando-se das formas quadradas predominantes na época.
O modelo destacou-se não apenas pelo design, mas por uma engenharia pouco convencional. Enquanto a concorrência optava por motores dianteiros, a Toyota posicionou o propulsor de 2.438 cm³ exatamente sob o assoalho, entre os bancos dianteiros e centrais. Essa configuração de motor central-traseiro permitiu uma distribuição de peso equilibrada, conferindo ao veículo um comportamento neutro em curvas e maior estabilidade em pisos escorregadios.
Engenharia e performance sob o chassi
O motor de quatro cilindros em linha, inclinado a 75 graus para a horizontal, entregava 140 cv de potência. Com um torque máximo de 21,3 mkgf a 4.000 rpm, o conjunto era gerenciado por um câmbio automático de quatro marchas. Embora o peso de 1.841 kg limitasse a agilidade, a Previa cumpria seu papel no fluxo urbano e rodoviário, atingindo marcas de aceleração de 0 a 100 km/h em 15,2 segundos.
A manutenção do veículo apresentava peculiaridades interessantes. Enquanto o acesso a fluidos como radiador e freios era feito pelo capô dianteiro, a verificação do óleo do motor exigia o basculamento do banco do motorista. Além disso, componentes auxiliares, como o alternador e o compressor do ar-condicionado, eram movidos por uma árvore de transmissão que conectava o motor, posicionado ao centro, aos periféricos instalados na dianteira.
Conforto e sofisticação no interior
O habitáculo da Previa era um dos seus maiores trunfos, oferecendo acomodação para sete passageiros em um ambiente altamente configurável. Os bancos da fileira central podiam girar 180 graus, permitindo a criação de uma espécie de sala de estar móvel. O pacote de conveniência incluía itens como geladeira integrada ao console, dois tetos solares e um sistema de áudio completo com equalizador gráfico.
A experiência de condução era marcada pelo silêncio, com níveis de ruído contidos em 66 decibéis a 100 km/h. A visibilidade ampla, proporcionada pelo para-brisa de grandes dimensões, reforçava a sensação de estar em um veículo à frente de seu tempo. O conforto térmico era garantido por vidros com tonalidade bronze e um sistema de ar-condicionado com saídas dedicadas para a parte traseira.
Segurança e legado no segmento
A segurança foi tratada com seriedade, com a adoção de freios a disco ventilados nas quatro rodas equipados com sistema antitravamento. Em testes de frenagem, o modelo demonstrou eficiência ao parar de 100 km/h a 0 em 44,9 metros, sem apresentar sinais de fadiga mesmo em condições de uso severo, como descidas de serra. O projeto, que buscava aperfeiçoar o conceito de minivan popularizado pela Chrysler, permanece como um marco de inovação na história da Toyota.
Fonte: autoesporte.globo.com
